Ficha Técnica


Título: A Maldição do Tigre (Tiger's Curse)
Autor (a): Colleen Houck
Editora: Arqueiro
Gênero: Romance, Fantasia e Aventura
Nº de Páginas: 311


Sinopse: 


"Kalsey Hayes perdeu os pais recentemente e precisa arranjar um emprego para custear a faculdade. Contratada por um circo, ela é arrebatada pela atração principal: um lindo tigre branco. Kelsey sente uma forte conexão com o misterioso animal de olhos azuis e, tocada por sua solidão, passa a maior parte do seu tempo livre ao lado dele. 

O que a jovem órfã ainda não sabe é que seu tigre Ren é, na verdade, Alagam Dhiren Rajaram, um príncipe indiano que foi amaldiçoado por um mago há mais de 300 anos, e que ela pode ser a única pessoa capaz de ajudá-lo a quebrar esse feitiço. 

Determinada a devolver à Ren sua humanidade, Kelsey embarca em uma perigosa jornada pela Índia, onde enfrenta forças sombrias, criaturas imortais e mundos místicos, tentando decifrar uma antiga profecia. Ao mesmo tempo, se apaixona perdidamente tanto pelo tigre quanto pelo homem."


Nem sei por onde começar quando o assunto é falar sobre esse livro. A Maldição do Tigre é, basicamente, uma das minhas sagas prediletas. Conheci os livros há alguns anos em um desses "acidentes" que acontecem rotineiramente com pessoas como eu que se aventuram e acabam se perdendo no meio das prateleiras da livraria, fascinada com tantos mundos diferentes. Acho que eu nem preciso falar a minha opinião à respeito da estética, porque a capa já é bem autoexplicativa. Esse livro é como um farol na sua cara, prendendo toda a tua atenção. Se a perfeição existe, está bem aí, nos olhos azuis cobalto do Ren. 

Acho que eu me apaixonei pela estória desde a sinopse. Sabe aquele sentimento que te aperta o peito quando você lê um livro, conhece um personagem, ou algo simplesmente acontece do nada, embalando o enredo com fortes emoções que você não sabe parar de acompanhar? Pois é. A maioria das pessoas, quando procuram um livro para ler, estão à procura na verdade deste sentimento. Infelizmente, é difícil encontrar algo assim, que te prenda deste jeito. Mas, nas mãos da narrativa de Colleen Houck, eu me vi presa com a Kelsey, o Ren, Kishan, Sr. Kadam e outros mais que eu comentarei e explicarei à diante.

A estória se passa no ponto de vista de Kelsey, uma garota órfã que mora com tutores e está procurando um 'job' para custear sua faculdade. Ela acaba no Circo Maurizio, onde conhece Ren, um tigre branco com quem se fascina e descobre uma forte conexão. O interessante é que, da mesma forma que Kelsey, nós nos apaixonamos pelo Ren desde o início, desde que é apenas um tigre. De certa forma, como a própria Kelsey descreve, é como se a alma deles possuíssem algo em comum: a solidão.



"No entanto, estar com o homem era bem mais complicado do que estar com o tigre. Eu precisava sempre me lembrar de que eles eram os dois lados da mesma moeda."



Bom, não vou entrar em detalhes, pois esta tem de ser uma resenha 'sem spoilers'. Pois bem! Após a chegada de Kelsey, Ren "recupera" um pouco de sua humanidade: a cada 24 horas, 24 minutos como homem lhe são cedidos e é assim que nós conhecemos Dhiren, o príncipe. Por diversas razões, Kelsey decide ajudar ele, Sr. Kadam e Kishan - irmão mais novo de Ren - à quebrar a maldição. Kishan é um personagem muito importante na saga, inserido em A Maldição, mas que só ganhará mais destaque no próximo livro. 

Eles descobrem que Kelsey é a protegida de Durga, uma deusa indiana e, para quebrar a maldição lançada sobre os irmãos, eles têm que, basicamente, fazer quatro oferendas e cinco sacrifícios. Sim, no início, compreender a profecia é uma tarefa bem complicada, mas lá na frente (ou no fim da saga, hehe) tudo se encaixa, não se preocupe. 

O grande ponto positivo que temos é o ótimo equilíbrio entre o romance e a aventura na narrativa. A Maldição nos deixa sem fôlego, tanto quanto pelo romance que nasce entre Ren e Kelsey, quanto nos perigos que eles têm de enfrentar para cumprir a primeira tarefa. Não vou falar muito dela, se não, acabo dando spoilers, mas posso dizer para os amantes de mitologia que vocês ficarão fascinados! Sinto uma dor de cabeça só de imaginar o quanto a Colleen teve de pesquisar e ler sobre a cultura de Índia, mitologia, aspectos históricos...

Por falar em cultura, não posso deixar de lado um detalhe importantíssimo! Na última resenha que fiz, que foi justamente sobre o prequel da saga - A Promessa do Tigre -, um dos pontos negativos que destaquei foi a falta de detalhes. Mas, muito pelo contrário, este livro (que foi, na verdade, lançado antes - perdoem-me pela ordem contrária de postagem) é rico em detalhes em todos os aspectos. Tenho certeza que todos que lerem A Maldição se sentirão na pele da Kelsey, uma americana dentro da Índia, cheia de medos e incertezas, mas movida pela vontade de ajudar os príncipes a recuperarem sua humanidade.



"[...] acho que me apaixonar por ele seria como mergulhar em um precipício. Seria ou a melhor coisa que me aconteceria ou o erro mais idiota que eu cometeria. Faria com que minha vida valesse a pena ou com que eu me chocasse contra as pedras e me arrebentasse completamente..."



É fascinante, sedutor, instigante. Diversas vezes durante a leitura (tanto nessa quanto na primeira vez), me peguei desejando estar dentro da estória e fazer parte daquilo. Não houveram saídas: me apaixonei pela estória, pelo enredo e, principalmente, pelos personagens. O sarcasmo de Kells, o romantismo de Ren, cada detalhe os faz parecer ainda mais reais. Enfim, espero que leiam, pois é um dos melhores livros que já li. Está confirmada também uma produção cinematográfica como adaptação nas mãos da Paramount Pictures. Bem... esperamos que isto seja uma boa notícia.

Há muitas coisas que eu gostaria de destacar sobre ele, mas se fosse dizer tudo, a resenha se estenderia eternamente. Uma dessas coisas são os grandes poemas (coisa que já citei na outra resenha) que a Colleen introduz na história. No início, temos O Tigre, de William Blake, mas um dos mais belos, é o Soneto 18, de William Shakespeare, aparentemente, o poeta preferido de Kells. Deixo-lhes, por fim, o maravilhoso dito cujo:



"Se te comparo à um dia de verão, és por certo mais belo e mais ameno.
O vento espalha as folhas pelo chão, e o tempo do verão é bem pequeno.
Às vezes brilha o Sol em demasia, outras vezes desmaia com frieza;
O que é belo declina num só dia, na eterna mutação da natureza.
Mas em ti o verão será eterno, e a beleza que tens não perderás;
Nem chegarás da morte ao triste inverno: nestas linhas com o tempo crescerás.
E enquanto nesta terra houver um ser, meus versos te farão viver..."



Avaliação: 

☆☆☆☆☆




P.S.: Se quiser me acompanhar nesta aventura mitológica, clique aqui e leia a crítica sobre o próximo volume; O Resgate do Tigre.


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