Ficha Técnica




Título: A Promessa do Tigre (Tiger's Promise)
Escritor (a): Colleen Houck
Editora: Arqueiro
Gênero: Romance
Nº de Páginas: 128



Sinopse:



"Mais de 300 anos antes de Kalsey Hayes surgir na vida de Ren e Kishan, uma jovem cruzou o caminho dos príncipes. Seu amor por um deles mudou o curso da história e o destino da família Rajaram.

Criada longe dos olhos da corte, isolada do convívio do castelo, Yesubai luta para suportar os maus tratos do pai e manter em segredo suas habilidades mágicas. Lokesh é um poderoso e cruel feiticeiro que foi capaz de assassinar a própria esposa porque ela lhe deu uma filha ao invés de um filho. Ao completar 16  anos, Yesubai é surpreendida por um anúncio do rei. Procurando fortalecer suas relações diplomáticas, o nobre acredita que um casamento entre a filha de Lokesh, comandante de seu exército, e um pretendente de algum dos reinos vizinhos será uma boa estratégia para diminuir os conflitos na região. 

A jovem recebe a notícia com alegria. Pela primeira vez ela enxerga um fio de esperança, a perspectiva de escapar do controle do pai e de levar uma vida fora do confinamento de seus aposentos. Mas esses não são os planos do feiticeiro. Ele vê no eminente casamento de Yesubai uma forma de conseguir ainda mais poder e não poupará esforços para atingir seus objetivos sombrios.

A Promessa do Tigre conta a origem da história dos príncipes Ren e Kishan e os acontecimentos que levaram às aventuras da aclamada série A Maldição do Tigre."


Particularmente, não gosto de fazer críticas sobre uma saga/série. Sou uma dessas pessoas movidas pelo interesse e, por isso, posso correr o risco de perder a vontade de lê-la no segundo ou terceiro livro e acabar abandonando-os de vez. Ao mesmo tempo, me sinto em dívida com os leitores ao não disponibilizar críticas sobre a saga inteira. Por causa disso, prefiro não envolvê-las nas minhas resenhas.

Porém, estamos falando de A Maldição do Tigre

A diferença desta vez é que é uma das minhas sagas preferidas, a qual eu já li a bastante tempo. Sempre quis fazer uma resenha sobre cada um deles, mas não tinha tempo de relê-los para refrescar a memória. Porém, a pouco tempo, foi lançado uma prequela do primeiro livro, que é justamente A Promessa do Tigre, livro em questão. E ao ler, senti imensa saudade daquele universo mágico indiano. Por isto, estou aqui fazendo uma resenha, sem medos de atrapalhar a experiência literária de alguém com a saga, já que A Promessa não dá nenhum spoiler do que acontece nos livros. Então, você que nunca leu A Maldição do Tigre, não tenha medo. Se você já leu, deleite-se (ou não) com essa resenha, ou parta para a próxima, clicando aqui.

Comprei o livro em pré-venda sem sequer ler a sinopse, afinal, já tinha lido os quatro anteriores e os amei. Tinha certeza de que não me decepcionaria com este. Mas.. uma coisa de cada vez.

Primeiramente, falando de estética, ele é perfeito! Na verdade, todos os livros da Saga do Tigre são. Creio que se alguém não o levou para casa pela curiosidade que a sinopse deixa, com certeza levou pela beleza da capa, porque sinceramente... eles são maravilhosos. E neste aspecto, A Promessa não deixa a desejar.

A estória começa não somente antes de Kelsey, mas antes também da maldição que transforma os príncipes em tigres. Yesubai e sua ama de leite Isha nos são apresentadas, juntamente com Lokesh, o grande mago e vilão da saga. Logo de cara percebemos que ser sua filha não lhe concedia alguma espécie de imunidade contra as maldades de Lokesh, muito pelo contrário. Durante um bom tempo, quem mais sofria nas mãos dele era Yesubai.

Quando o peguei para ler, haviam algumas questões principais que eu esperava que fossem abordadas e sanadas durante a leitura:

1. Conhecer Yesubai - a primeira garota "disputada" pelos irmãos;
2. Saber exatamente como a maldição foi jogada nos príncipes;
3. Conhecer o Sr. e a Sra. Rajaram;
4. E, claro, ver Ren e Kishan sob um aspecto diferente - jovens, príncipes e, de certa forma, inocentes.

Bom, nós realmente conhecemos Yesubai. Com exceção do prólogo, narrado por Isha, o resto do livro se passa no ponto de vista da garota. Não posso dizer que me identifiquei ou sequer gostei dela como de Kelsey. Com os livros anteriores se passando no ponto de vista da americana, então é quase impossível não comparar. Yesubai é submissa, subordinada e recatada. Ela tem bons motivos, claro, as ameaças que sofre por parte do pai. Mas, mesmo sabendo que tudo se passa há 300 anos atrás, é difícil não se incomodar com o modo que Yesubai é tratada, principalmente quando sua disponibilidade para o casamento é anunciada. Enfim, alguns não vão se importar, mas outros como eu vão se sentir levemente incomodados com isso.

Outra coisa a respeito da personagem é que, mesmo sofrendo, não consegui tomar suas dores, principalmente pelo fato de não conseguir me identificar com a personagem. Além de tudo que eu disse acima, uma das grandes diferenças de Kelsey (olha ela de novo!) é a falta daquelas inseguranças (às vezes apelidadas de mimimi), mas que grande parte de nós temos. Yesubai é linda e sabe disso, ninguém tem dúvida quanto a isso. Apesar de reclamar de Kelsey, isso fazia eu (e muitas pessoas, acredito) se sentirem na pele dela, o que não acontece com Yesubai.

Sobre minha segunda questão, não posso dizer que foi explicada. Na verdade, tudo fica um pouco por cima, sem muita explicação. É dito algumas coisas sobre o Amuleto de Damon e até a deusa Durga aparece no final, mas, tirando isso, não há mais nada que remeta ao porquê da maldição em si. A história é basicamente da Yesubai.

Sobre Deschen e Rajaram, eles aparecem sim, Deschem mais do que o marido. Podemos ver o amor que tinham um pelo outro, o amor pelos filhos e sua relação. Esse foi um dos pontos da estória que mais me agradou.

Já quanto a Ren e Kishan, fiquei decepcionada. Ren praticamente não aparece - quando aparece é por meio de cartas ou cenas que não foram descritas, apenas citadas resumidamente. Por isso senti falta do meu tigre branco. Já Kishan aparece mais, bem mais. Porém, seu relacionamento com Yesubai parece mais um encantamento do que uma paixão, como a que ele tem por certa pessoinha mais à frente. É uma coisa muito básica, muito resumida e, na minha opinião, pouco explorada.

Pesquisei em alguns sites, principalmente no Skoob, as opiniões dos leitores e não sei se fiquei aliviada por ter uma opinião parecida com a deles. É bem mais fácil fazer uma crítica positiva, quando você adora o livro...

Se eu adorei A Promessa do Tigre? A resposta é... não.

O livro não é ruim, a história é legal, mas para quem esperava mais um romance instigante como os anteriores se decepcionou e muito. Os acontecimentos são mais resumidos do que narrados, diferente dos outros quatro, ricos em detalhes, tanto sobre a cultura e a mitologia indiana, quanto aos sentimentos, ações, pensamentos e interações entre os personagens. Senti muita falta disso, parecia que eu estava lendo um dos rascunhos que os autores fazem antes de começar de verdade uma estória.

Sendo o início de toda a estória, alguns podem pensar que é preferível iniciar a leitura com ele. Bom, minha opinião é não. A Promessa serve para matar a curiosidade sobre o passado e ter aquele gostinho a mais quando acabamos de ler a saga, uma coisa mais pra matar saudade do que para saber se os próximos livros (bem maiores do que este) serão bons. A Maldição e afins são incomparavelmente melhores e acho que se eu tivesse começado por A Promessa, não teria me sentido tão animada para continuar.

Outra coisa que vi em um dos comentários na página do Skoob foi que, apesar do livro seguir o tema da saga de que é preciso serem feitos alguns sacrifícios em nome do amor, parece algo forçado. Talvez por não conseguirmos adentrar realmente no mundo de Yesubai e assim nos sentirmos em sua pele, também não tomamos suas dores nem seus amores.

Por fim, quero citar (na imagem ao lado, hehe) o poema que a autora nos deixa no início do livro, uma de suas marcas. Cada livro da saga sempre vem acompanhado de um poema que se refere ao desenrolar dos fatos que viriam. Sempre os amei, cada um mais lindo que o outro e desta vez não é diferente.

Sinceramente, gostaria de conhecer poemas tão bons quanto os que a Coolleen nos traz. Minha vida seria bem melhor! (rs')

Por fim, dou 3 estrelinhas ao livro, por tudo que esses personagens já me proporcionaram até agora, e deixo também minha frase preferida durante a leitura:



"Qualquer criatura pode se tornar algo poderoso. Quando enfrentam as provações da vida com coragem, todos encontram seu destino."



Avaliação: 

☆☆☆




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